Há ciclos que não apenas marcam a passagem do tempo, mas que reescrevem definitivamente a história de uma instituição. Ao acompanharmos com alegria a posse da nova gestão da UEPG, com os professores Ivo Demiate e Adriana Campagnoli — a quem desejamos uma caminhada brilhante —, é imprescindível fazermos uma pausa para celebrar a grandiosidade da trajetória que nos conduziu até aqui.
Homenagear o professor Miguel Sanches Neto exige de nós um cuidado especial com as palavras. Afinal, como escrever sobre um mestre da escrita? Durante seus oito anos à frente da reitoria, ele não se limitou a administrar; ele ajudou a redigir um dos capítulos mais complexos, desafiadores e bonitos da nossa universidade. E o fez com a maestria de quem compreende que a UEPG não é feita apenas de prédios e processos, mas de narrativas, pessoas e sonhos em transformação.
Dizer que o professor Miguel é uma das mentes mais brilhantes que conhecemos é constatar o óbvio. No entanto, o que o torna verdadeiramente notável — e falo aqui com a admiração de quem enxerga nele uma das pessoas mais admiráveis e sábias que já conheci — é a essência dessa sua profunda sabedoria. A inteligência resolve os problemas técnicos, mas é a sabedoria que entende o tempo das coisas, lê as entrelinhas e cuida do aspecto humano. Com a sensibilidade de um grande romancista, ele soube ouvir, ponderar e agir com serenidade quando o cenário exigia.
Essa sabedoria ímpar não nasceu do acaso; ela possui raízes profundas e comoventes. Como ele mesmo nos emocionou ao declarar recentemente: ‘O ensino é minha herança. É preciso acreditar no ensino e no esforço’. O menino que ficou órfão aos quatro anos, neto e filho de agricultores analfabetos, criado por um padrasto rigoroso e por uma mãe costureira que apostou tudo na escola, transformou a própria vida na maior prova de que a educação muda destinos.
E que desfecho poético para este ciclo na reitoria: despedir-se do cargo recebendo a notícia de que será agraciado com a Ordem do Mérito Cultural (OMC), no grau de Comendador — a maior honraria da cultura do nosso país. É o justo reconhecimento do Brasil a um de seus mais importantes escritores, cuja trajetória é o orgulho de uma história profundamente brasileira.
Professor Miguel, ao passar a caneta da reitoria adiante, o senhor não fecha um livro, mas conclui magistralmente uma grande obra de gestão pública. A nossa universidade é uma história mais rica e forte hoje porque teve o senhor como um de seus principais autores.
Nosso mais profundo agradecimento e admiração. Que seus próximos capítulos, coroados por essa honraria tão merecida, sigam nos inspirando na literatura e na vida.